Entre as inúmeras histórias de times brasileiros excursionando pelo exterior, há uma passagem interessante do Coritiba, que conquistou um troféu ao jogar em solo africano, mais precisamente na Costa do Marfim. O alviverde paranaense levantou o título da Taça Akwaba, um torneio amistoso promovido por um hotel em Abidjan, capital do país.

O curioso é que os poucos registros desta aventura são controversos quanto às demais equipes participantes de tal evento. Segundo as principais fontes, inclusive o site oficial do próprio Coritiba, há a indicação de que um dos adversários seria a seleção da Bulgária. Outras fontes indicam que um outro adversário, o Africa Sports, seria um combinado sub-23 de atletas do continente. E o quarto competidor, enfim, era o tradicional ASEC Mimosas, maior campeão do país marfinense.

Entretanto, aparentemente, além de Coritiba e ASEC Mimosas, na verdade disputaram a competição amistosa o também marfinense Africa Sports (segundo maior campeão nacional) e o já extinto FC Etar, da tradicional cidade búlgara de Veliko Tarnovo. O time violeta talvez tenha representado o país europeu, ou apenas foi apresentado como a seleção nacional. Não se sabe exatamente.

Time búlgaro em frente ao Akwaba Hotel. Veliko Tarnovo Sport


De qualquer forma, o Coritiba levou a sério o torneio e venceu as duas partidas. Como boa parte deste tipo de competição, o formato era simples, com semifinal e final disputados em jogos únicos. As partidas foram todas disputadas no Estádio Félix Houphouët-Boigny, o principal do país. No dia 15 de fevereiro, na semifinal, vitória por 2 a 0 sobre o Etar/Seleção da Bulgária, com dois gols de Reinaldo Xavier, centroavante revelado pelo Coxa e que teria passagens em sua carreira por Atlético Mineiro, Palmeiras e Grêmio. O Coritiba, segundo o Helênicos, grupo de pesquisadores da história coxa-branca, jogou nesta partida com Jairo; Joel, Gardel, Ailton e Djalma Braga; Ednaldo, Ronaldo e Mário Sergio; Parraro, Lela e Reinaldo Xavier. Entraram ainda André Ranzani, João Carlos e Souza. O time era treinado por Luis Carlos de Oliveira, o Bolão.

Segundo o treinador búlgaro Georgi Vassilev, em entrevista ao site Veliko Tarnovo Sport, os brasileiros jogaram de forma ‘dura’. “O jogo foi muito difícil, com um jogo muito duro dos brasileiros, eles receberam 5 cartões amarelos”, afirmou. Na outra semifinal, o Africa Sports venceu o clássico marfinense por 2 a 1 e avançou para a decisão.

Dois dias depois, na disputa de terceiro lugar, os búlgaros venceram o ASEC Mimosas por 2 a 1. Na grande final, o Coritiba goleou o time local do Africa Sports por 6 a 2. Foram três gols de Lela, dois de Souza e mais um de Reinaldo Xavier. “Eles gritavam Le-La, Le-La, em coro, o tempo todo. O Lela fazia aquelas caretas quando marcava os gols e a torcida ia à loucura. Virou mania lá na Costa do Marfim imitar a careta do Lela e saiu até reportagem no jornal de lá”, disse o goleiro Jairo, em entrevista ao repórter Altair Santos, em 2010.

O Coxa jogou a final com Jairo; Joel, Gardel, Ailton e Djalma Braga; Ednaldo, Ronaldo e Mario Sergio; Luisinho, Lela e Reinaldo Xavier. Entraram André Ranzani, João Carlos e Souza. Além dos atletas que entraram em campo nas duas partidas, o goleiro Jair Bacon também fez parte da delegação.

Após o título, de acordo tanto com as fontes brasileiras quanto búlgaras, o FC Etar não se conformou com a derrota no jogo de ida e propôs ao dono do hotel patrocinador que houvesse uma revanche diante do Coxa. O repeteco foi disputado em Bouaké, no interior marfinense, a 400km da capital. Nesta partida, empate em 1 a 1. Lela marcou o gol do alviverde e Georgi Tsingov empatou para os europeus.

Além da conquista internacional, os jogadores do Coritiba ainda ganharam como premiação uma viagem às Ilhas Canárias.