Alguma vez você já pensou que o futebol e a ufologia, a ciência que estuda a existência e aparições de OVNIs (objetos voadores não identificados), teriam algum tipo de ligação? Caso sua resposta seja negativa, saiba que duas das maiores experiências de contato entre humanos e alienígenas aconteceram em estádios de futebol do Brasil e da Itália. São esses dois fatos que ligam duas cidades bem diferentes: Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e Florença, histórica cidade italiana. A seguir, contamos sobre os dois contatos de primeiro grau, em que dezenas de pessoas alegam ter visto supostos discos voadores.

O avistamento de Florença

No dia 27 de outubro de 1954, a tradicional Fiorentina recebia no estádio Artemio Franchi a equipe da Pistoiese, da cidade de Pistoia, localizada na Região Metropolitana de Florença. O público era relevante para um amistoso, com cerca de dez mil espectadores. Segundo todas as principais fontes, minutos após o início do segundo tempo, objetos voadores surgiram e mobilizaram as atenções de todos os presentes, incluindo os jogadores.

Um dos relatos mais conhecidos sobre o ocorrido é de Ardico Magnini, zagueiro nascido em Pistoia e que defendia naquele momento a Viola. O selecionável italiano na Copa de 54 relatou sua visão da seguinte maneira, em entrevista à BBC: “Eu lembro tudo de A à Z. Era algo que parecia um ovo se movendo cada vez mais devagar. Todos olhavam para cima e também havia um brilho caindo do céu, um brilho prateado. Nós estávamos chocados, nunca havíamos visto nada igual”, disse. De acordo com a reportagem da BBC sobre o tema, esta partida foi suspensa pelo árbitro logo após a aparição supostamente alienígena.

A emissora inglesa, entretanto, não se contentou com o misticismo do fato e consultou especialistas para que pudessem, ao menos, oferecer uma hipótese mais palpável do que teria acontecido naquele longínquo dia e sobre o que seria o tal ‘brilho’ que caía do céu. Ainda na época, o redator Giorgio Batini, do jornal La Nazione, conseguiu coletar um breve pedaço deste material e o levou para análise na Universidade de Florença. Aquele frágil material não era radioativo nem combustível, e era composta por cálcio, silício, alumínio, magnésio, ferro e boro.

Segundo o piloto e astrônomo americano James McGaha, o estranho material que se desintegrava ao ser tocado não era nada mais do que uma espécie de balão de aranhas migratórias. Os aracnídeos criam uma substância similar, porém mais fina que as teias, e a utilizam como forma de locomoção pelos céus. A explicação, naturalmente, é plausível. Mas, afinal, onde estão as aranhas que ninguém as vê?

O ufólogo italiano Roberto Pinotti usa a diferença de composição química entre o material aracnídeo e os fios coletados na ocasião para contestar a teoria da aranha. Segundo ele, os “balões” feitos pelos insetos são formados por nitrogênio, cálcio, hidrogênio e oxigênio.

Infelizmente, não está disponível na internet edições dos principais jornais da época, como o local La Nazione. O jornal La Stampa, de Turim, noticiou a partida assim:

“Quem não os viu permanece com cautela na opinião de que se trata de um mal-entendido com a passagem de patos selvagens ou aviões a altitudes muito elevadas, ou com balões sonoros, daqueles utilizados para experiências meteorológicas. O primeiro par de discos – dizem as testemunhas – passou em altíssima velocidade às 14h20. Os estranhos objetos tinham o formato de asas de gaivota e eram de cor branca leitosa. A segunda formação, dez minutos depois. No entanto, a forma dos estranhos dispositivos mudou e se assemelhava a gotas d’água caindo. A terceira, finalmente, às 14h35. Também desta vez o formato era diferente: pareciam balões de verdade, perfeitamente esféricos, como os que os camelôs oferecem aos meninos. Muitos dos observadores tiveram tempo de se armar com binóculos. Entre estes, o senhor Alfredo Jacopozzi, residente na rua Tito Speri, 16, que afirmou ter visto claramente um aparato formado como se por duas rodas sobrepostas divididas por um fuso curto, que girava alternadamente a uma velocidade insana. Outros relataram mais ou menos a mesma coisa. De fato, na época mencionada, pequenas esferas brancas cruzavam o céu de Florença a uma velocidade notável: o fenômeno também foi observado por pessoas imunes às sugestões marcianas, como os funcionários do aeroporto civil de Peretola. Uma dessas esferas permaneceu estacionária sobre a cidade por cerca de quarenta segundos e depois desapareceu. No estádio municipal, onde acontecia o jogo-treino entre as equipes, o jogo foi interrompido em determinado momento e os dez mil espectadores estavam todos de nariz empinado, atraídos pelo espetáculo de pares de discos que passaram zunindo em alta velocidade. Isso tem provocado os mais variados comentários e uma infinidade de discussões. Por fim, uma senhora (…) com muitas outras pessoas, viu passar exatamente às 13h30 uma grande esfera acinzentada, que de repente se dividiu em três partes, deixando atrás de si um imenso rastro. Cada lado continuou em seu próprio curso, deixando para trás uma espécie de grande teia de aranha, algo como uma chuva de algodão. Algumas das pessoas que observaram o curioso fenômeno coletaram amostras do estranho algodão que caiu no chão. Assim será possível verificar, pelo menos com sorte, se é uma brincadeira, ou algo sério”.

O avistamento de Campo Grande

Em 1982, Operário Futebol Clube era a principal equipe do estado do Mato Grosso do Sul, criado cinco anos antes. O alvinegro já possuía três títulos estaduais e outros quatro títulos mato-grossenses, todos de 1973 em diante. No âmbito nacional, o clube já havia tido algum destaque, sendo terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de 77 e era conhecido por dificultar as coisas, principalmente quando jogava em casa, no estádio Morenão.

No início da edição do Brasileirão daquele ano, o Operário mostrou bom desempenho, passando bem pela primeira fase, empatando em pontos com o líder do grupo, o Bangú, e ficando à frente dos campeões nacionais Bahia e Cruzeiro e eliminando o rival regional Mixto.

Na fase seguinte, o clube enfrentaria os cariocas Vasco da Gama e America, além do gaúcho Internacional de Santa Maria. Apenas os dois primeiros da chave avançariam para o mata-mata, o que exigia ao menos vencer todos os jogos como mandante.

Logo na estreia da segunda fase, o Operário recebeu o Vasco, na noite de 6 de março. O jogo foi transmitido pela Rede Globo. Com 17 minutos, o atacante Jones, revelado pelo Internacional e com passagens por diversos clubes brasileiros, dominou um balão vindo do goleiro, ajeitou para o pé direito e marcou um golaço de fora da área. Ainda na primeira etapa, o time da casa ampliou, novamente com Jones, que completou de cabeça um cruzamento vindo do lado esquerdo.

Ainda no primeiro tempo, surgiu um clarão. Foram poucos segundos. De acordo com a maioria dos relatos, a luz passou de um lado ao outro do estádio e seguiu viagem rumo ao Sul da cidade. O ocorrido no Morenão é considerado o maior avistamento coletivo de Ovnis do mundo, com público estimado de 23,5 mil pessoas, considerando apenas quem estava dentro do estádio, já que há relatos de avistamentos em outros pontos naquele mesmo dia.

Em uma reportagem do Esporte Espetacular, o repórter Kiko Menezes reviu o primeiro tempo daquela partida e afirmou não ter visto qualquer interrupção. A matéria também apresenta relatos de Cocada, Rondinelli, Amarildo, Pastoril e de torcedores presentes na ocasião.

Outros relatos

Em entrevista ao jornalista Rafael Ribeiro, do site Campo Grande News, o repórter Paulo Nonato Feijão contou sua visão do ocorrido, à beira do gramado do Morenão. “Eu era repórter da Rádio Cultura de Campo Grande e do Correio do Estado. Eu estava atrás daquele gol (aponta para um dos lados), quando eu vi aquele objeto que não consigo saber exatamente o que seria surgindo ali (aponta para o lado oposto) em cima da marquise”, relembra. “A imagem que eu tenho daquele acontecimento, além daquele clarão surgindo, (foi) o Cocada. Ele estava a uma distância próxima do árbitro José de Assis Aragão. Tenho isso em minha mente como se fosse agora: o Cocada olhando para cima para ver o que era aquilo. Estava bem acima dele. E bem próximo, estava o lateral esquerdo do Vasco, Pedrinho. Eu como repórter, ficava olhando. Você tem que ser muito rápido na sua percepção, porque o narrador poderia pedir informação. Houve a pergunta: ‘o que aconteceu?’. Eu falei assim: ‘não sei dizer’ e a resposta continua a mesma”, afirma.

O hoje experiente repórter também desmistificou diversas alegações que são feitas referentes àquele jogo. “Não tremeu o chão, não teve chuva de flores, não teve correria na arquibancada. Esse tipo de conversa é de quem não esteve aqui”, disse.

Em uma reportagem do UOL, Cocada, lateral do Operário e que posteriormente foi herói vascaíno no Carioca de 88, foi sucinto. “Era uma luz muito, muito forte, nunca vi igual. Não posso afirmar que era um disco voador, mas não podia ser avião. Era grande, ficou uns dez segundos em cima do estádio e de repente sumiu. Foi uma coisa impressionante!”.

Entre as mais de 20 mil pessoas que estavam lá, também teve gente que sequer percebeu algo estranho durante o jogo. “Eu estava lá, mas não vi nada. Todo mundo comentou, mas eu não vi”, comentou Valdenir Rezende, fotógrafo do jornal Correio do Estado.

Na sequência da competição, Vasco e Operário terminaram a fase com sete pontos, e passaram para o mata-mata. Ambos caíram nas oitavas de final. O time carioca foi superado pelo Grêmio e o Operário acabou sucumbindo ao Guarani. O time sul-mato-grossense ainda participaria do Brasileirão nos anos de 1984 e 1986.