O Corinthians completou nesta semana 111 anos de história. O clube do “bando de loucos” tem em sua história grandes passagens, como a curiosa relação com a cidade de Turim, na Itália, mais especificamente com o Torino, grande clube italiano que foi uma potência na década de 40. A começar pela primeira partida internacional do Timão. Em 1914, o Torino veio ao Brasil e jogou duas partidas com o time paulista, vencendo por 3-0 e por 2-1. Em 1948, foi a vez do Corinthians devolver a derrota de décadas antes, vencendo por 2 a 1, também no Brasil.

No ano seguinte, em 1949, a delegação do Torino sofreu um acidente de avião que vitimou 31 pessoas, a maior parte de integrantes do clube. Na ocasião, o Corinthians prestou uma homenagem ao Torino vestindo um uniforme grená. Esta passagem voltou a ser lembrada em 2017, quando um uniforme da mesma cor foi lançado.

Além dessa relação, o Corinthians também tem em seus registros um título conquistado em Turim. No ano de 1966, o Timão foi o “campeão dos campeões” da Coppa Cittá di Torino, um torneio amistoso que reuniu, além do time brasileiro, a Juventus, a Internazionale de Milão e o Espanyol, de Barcelona.

Vitória imponente

Em 1966, o Corinthians já completava mais de uma década do jejum de títulos do Campeonato Paulista que só se encerraria em 1978. Mas neste meio tempo, o Timão levantou outras taças, incluindo um Rio-São Paulo, naquele mesmo ano de 66. Ou seja, o time era bastante qualificado, e havia acabado de ver surgir Roberto Rivellino.

Na disputa do torneio internacional, o Corinthians enfrentou a Internazionale, atual campeão mundial de clubes, tendo vencido o Independiente no Intercontinental de 65. Mas o elenco que enfrentou o clube paulista era bem diferente do que havia sido campeão cerca de oito meses antes.

Como o Corinthians não tinha nada a ver com isso, passou o carro sobre os italianos, vencendo por 3 a 1. O carioca Nair abriu o placar; Gori empatou; mas dois gols de Ney, importante meia corintiano, marcou duas vezes e definiu o avanço da equipe para a decisão do torneio.

Na outra ponta, o Espanyol também fez o papel de visitante ingrato, e venceu a Juventus por 1 a 0, gol de Carmelo Amas.

Antes da decisão, houve uma disputa de terceiro lugar entre os times italianos. A dona da casa Juventus venceu por 3 a 1, com gols de Gori e Menichelli (duas vezes), com Castano diminuindo para os nerazzurri.

Rivelino vs Di Stefano

No dia 1º de junho, Corinthians e Espanyol estragaram a festa dos italianos e se enfrentariam no Estádio Olímpico de Turim pelo troféu em questão. Além do duelo entre equipes tradicionais de seus respectivos países, a final do Cittá di Torino colocou frente a frente Alfredo Di Stefano, um ícone do futebol mundial já em fase final de carreira, e Roberto Rivellino, um jovem jogador que se tornaria um dos maiores jogadores da história do país pentacampeão do mundo.

E com 26 minutos, Rivellino mostrou a que veio, abrindo o placar para o Corinthians, em cobrança de falta que ele mesmo sofrera. Ainda na primeira etapa, José Maria empataria o placar para os espanhóis. Com o empate em 1 a 1 no tempo normal, foi jogada uma prorrogação, sem que qualquer gol fosse marcado. Nas penalidades, o Timão venceu por 4 a 3, após seis cobranças de cada lado. O curioso é que não havia uma ordem específica para bater os pênaltis. Nair, por exemplo, bateu cinco pênaltis, das seis cobranças efetuadas pelo Corinthians (segundo o jornal Folha de São Paulo, do dia 2 de junho de 66).

O Cittá di Torino foi o segundo título internacional da história do Corinthians, mas o primeiro em terras além-mar. Em um dos jornais da época, a manchete: Fiel recebe o Conquistador da Itália!