Esta não vai ser a primeira vez em que relembraremos uma passagem do Sport Club Internacional pelos anos 90. Aqui mesmo no Maracanazo, você pode ler um perfil do André Doring, ídolo de uma das gerações mais sofridas de torcedores colorados, e sobre o esquecido título do Torneio Mercosul. Desta vez, vamos falar sobre a participação do Inter em um evento chamado Noche Azul, organizado pela Universidad de Chile. Apesar de estar em um momento difícil de sua história, o clube porto-alegrense seguia com prestígio de ser um dos gigantes brasileiros, e constantemente era convidado a competições amistosas e festivas.

A Noche Azul foi criada em 1992, como forma de apresentar o elenco da nova temporada. O formato, aliás, é bastante difundido na América do Sul, e até hoje clubes costumam promover vez ou outra uma “noite com a cor do time”. Mais recentemente, e de forma bastante destacada, Ronaldinho Gaúcho participou da Noche Amarilla, do Barcelona de Guayaquil, do Equador. Naquela primeira edição, La U recebeu o argentino Estudiantes de La Plata, e acabou derrotado por 4 a 2, no dia 25 de fevereiro, em jogo disputado no Estádio Nacional, em Santiago.

Por três anos, a festividade não foi realizada, voltando apenas em 1996. É aqui que o Internacional volta ao centro do texto. O Colorado viria a ter um ano difícil, sem títulos oficiais, e não tinha um elenco muito estrelado, com exceção do goleiro argentino Goycochea (que ainda era titular) e do zagueiro paraguaio Gamarra. O técnico, naquela ocasião, era o uruguaio Pedro Rocha, que havia retomado a carreira de treinador – mas ficaria pouco tempo no Beira-Rio. Já a La U apresentou alguns reforços, mas o principal nome estaria nas arquibancadas: o técnico argentino Miguel Ángel Russo. Quem treinou o time chileno foi Hugo Carballo, ídolo do clube como jogador e que havia sido campeão nacional em 95.

Segundo a página Universidad de Chiles – Goles Históricos, o Inter jogou com Goycochea (André); Argel, Gamarra e Ânderson; Luís Fernando Souza, Élson, Lico Freitas (Itamar), Yan e Silvan; Fabinho (Ronaldo) e Aílton. A La U atuou com Vargas; Cristián Castañeda, Mora, Traverso e Ponce; Mardones (Galdames), Victor Castañeda (Bravo), Valencia (Reyes) e Leo Rodriguez; Salas (Sánchez) e Goldberg (Fernandez). 

Com 11 minutos jogados, Fabinho aproveitou falha do goleiro Vargas e abriu o placar para o Colorado diante de cerca de 50 mil pessoas. De pênalti, Mardones empatou, mas ainda na primeira etapa, nos acréscimos, o desconhecido Lico Freitas marcou um belo gol de fora da área, batendo de três dedos. No segundo tempo, novo pênalti para os donos da casa, e Leonardo Rodriguez fechou o placar em 2 a 2.

O desempenho da Universidade de Chile no restante do ano teve altos e baixos. Russo levou o clube até às semifinais da Libertadores, fato que o colocou nas graças da torcida. Mas no campeonato nacional, o time não engrenou e acabou apenas na quinta colocação.

No ano seguinte, o Internacional voltou a ser o convidado. E com um time bem melhor montado, o Inter fez da Noche Azul uma Noche Roja! Com o Estádio Nacional ocupado por cerca de 30 mil pessoas, o nome mais aclamado foi o de Marcelo Salas. Saído de La U para o River Plate, o jogador se recuperava de uma lesão e surgiu de muletas no gramado.

Com a bola em jogo, o Inter abriu o placar no primeiro tempo com o artilheiro Christian, que completou de cabeça um cruzamento na medida de Fabiano. Em um golaço de falta, Castañeda empatou para os anfitriões, mas no segundo tempo, Fabiano aproveitou falha de Vargas (de novo) e mandou para as redes para decretar a vitória colorada.

Naquela temporada, La U novamente ficou abaixo das expectativas e terminou na terceira colocação geral do Campeonato Chileno. Já o Internacional teve o ano mais memorável da década de 90, com um terceiro lugar no Brasileirão e o inesquecível título do Campeonato Gaúcho de 97.

Noites difíceis

A derrota para o Inter em 97 foi a terceira edição da Noche Azul. Perceba como a Universidad de Chile não saiu vitorioso em nenhum dos eventos feitos até aquele momento. Até o ano de 2016, o clube promoveu outras nove edições, tendo vencido o jogo festivo apenas duas vezes, em 2001, contra o Universitario de Lima e em 2016, contra o Peñarol.