Da primeira metade do século XX até meados da década de 60, a Hungria teve relevante influência na formação da cultura do futebol na Europa e até mesmo no território além-mar, incluindo o Brasil. Na década de 30, Dori Kürschner desembarcou no país e é considerado como o precursor do WM (3-2-5) em território brasileiro e o lendário Béla Guttmann deu sua contribuição no final da década de 50. Mas o futebol húngaro também desenvolveu uma tímida página na história do futebol da Venezuela.

No ano de 1958, imigrantes húngaros e de outros países da região central da Europa fundaram o Deportivo Danubio (outras fontes citam como Danubio Spot Club), em óbvia referência ao rio que corta o continente europeu. Segundo o pesquisador venezuelano Eliezer Pérez, a junta diretiva da equipe era formada por húngaros naturalizados venezuelanos.

Segundo o site Foro Vinotinto, este foi o escudo utilizado pelo Deportivo Danubio

O futebol na Venezuela havia se profissionalizado em 1957, e o Danubio estreou no campeonato nacional contra outras equipes de imigrantes, como o Deportivo Español e o Deportivo Portugués. De acordo com a RSSSF (Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation), no ano de estreia, o time magyar ficou na quinta posição (de cinco participantes), tendo uma vitória, dois empates e cinco derrotas. No segundo ano, o desempenho melhorou, e o clube ficou em terceiro, com quatro vitórias, dois empates e seis derrotas. O Danubio, que utilizava um uniforme na cor roxa, chegou a jogar dois amistosos internacionais contra a seleção de Curação, tendo empatado sem gols na ilha caribenha e vencido por 2 a 1 em jogo realizado na cidade de Caracas.

No entanto, ao final do ano de 59, o clube fechou as portas após a renúncia do presidente Tibor Pivko. A justificativa é que não houve adesão de atletas locais. “Danubio desaparecerá por falta de criollos”, anunciou o jornal Diário Últimas Notícias, como mostra abaixo o arquivo do pesquisador Eliezer Pérez.

Se os húngaros não conseguiram ser bem sucedidos na Venezuela, os brasileiros e imigrantes de outras colônias aproveitaram bem a oportunidade. No ainda compacto futebol nacional (que abrangia apenas equipes da região da Capital), clubes das comunidades portuguesas, espanholas e italianas dominaram os primeiros anos do futebol local, com a participação de jogadores e treinadores brasileiros, com especial destaque para Orlando Fantoni. Meia de times como Cruzeiro, Vasco, Lazio e Palmeiras, o mineiro de Belo Horizonte começou sua carreira como treinador no país vizinho e conquistou cinco títulos nacionais (um pelo Universidad Central, um pelo Deportivo Portugués e três pelo Deportivo Itália).