O técnico Abel Braga foi anunciado como novo treinador do FC Lugano, da Suíça. Abelão será o único treinador brasileiro em uma primeira divisão de campeonato nacional europeu. Diferente do “pé-de-obra” tupiniquim, abundante no Velho Continente, são cada vez mais raros exemplos de treinadores à frente de equipes europeias.

Abel assume o clube suíço poucos meses após o término do Campeonato Brasileiro, em que foi eleito o melhor treinador, liderando a campanha de mais um vice-campeonato do Internacional na competição nacional. Sua saída do clube gaúcho após o término do Brasileirão já estava acertada desde sua chegada ao Beira-Rio.

Em mais uma passagem, Abel se consolidou como o treinador com mais jogos à frente do Colorado, com 340 partidas. Foram 22 partidas, com 60% de aproveitamento e uma marca de nove vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro, recorde na era dos pontos corridos.

Seca de títulos

A missão de Abel Braga consiste em quebrar um longo e incômodo jejum. Assim como o Internacional, o Lugano possui três títulos do campeonato nacional, mas a seca do clube suíço é ainda maior do que a do Colorado. O alvinegro suíço não é campeão da liga desde 1949 e da copa nacional (da qual também possui três troféus) desde 1993.

O brasileiro substitui o suíço Maurizio Jacobacci, que conseguiu se tornar o treinador que mais dirigiu a equipe desde seu retorno à primeira divisão, na temporada 2015-16. Jacobacci dirigiu o Lugano em 66 partidas e ficou cinco meses sem perder no ano de 2020, em 17 partidas consecutivas entre 5 de julho e 13 de dezembro. Ainda assim, o Lugano ficou apenas na quarta posição, fora da zona de classificação para as competições europeias.

Experiência europeia

Esta não será a primeira vez de Abel como técnico de um time europeu. O ex-zagueiro do Paris Saint-Germain realizou campanhas de destaque no início de sua carreira por clubes portugueses. Depois de uma breve passagem pelo Rio Ave em meados dos anos 80, Abelão comandou Famalicão, Belenenses e Vitória de Setúbal entre 1989 e 1995, conquistando acessos à elite com os dois primeiros e fazendo campanhas seguras na primeira divisão portuguesa.

No ano de 2000, Abel assumiu o Olympique de Marseille, onde ficou por menos de cinco meses. O gigante francês estava em grave crise financeira e os resultados em campo também não ajudavam. O clube ainda teve outros quatro treinadores na temporada e quase foi rebaixado. Em compensação, dois atletas daquele elenco tiveram papel fundamental na carreira de Abel: Adriano Gabiru e Fernandão, campeões mundiais com o Inter em 2006.